29 de mai de 2012

O número da besta ou a besta somos nós, os eleitores?




Por Omégeni Ramos

Ficção baseada em fatos reais

Parece brincadeira, mas é a pura verdade: para alguns pré-candidatos a cargos políticos o valor de cada cidadão eleitor é de apenas R$ 50,00 antes das eleições. E para esses mesmos pré-candidatos, caso sejam eleitos, esse mesmo cidadão cujo valor era de R$ 50,00 antes das eleições, passa a ser R$ 0,00 durante os quatro anos seguintes.

Atualmente, no município de Pimenta Bueno, a correria nos bastidores políticos está a todo vapor, considerando a existência de vários os pré-candidatos, principalmente daqueles que pleiteiam uma vaga de vereador.

Fique esperto com aquele tipo de pré-candidato a político que nunca visitou o seu bairro e muito menos se deu ao trabalho de erguer a mão para lhe cumprimentar! Nos anos eleitorais o camarada aparece com antecedência e frequência, distribuindo comida, gasolina e álcool combustível, dinheiro, presentes e outras benesses nas comunidades do município; no entanto, após o dia da eleição recolhe toda a sua simpatia, atenção, dedicação aos mais necessitados e desaparece por longos quatro anos.

Muitos amigos e conhecidos na cidade de Pimenta Bueno já me informaram que alguns pré-candidatos a vereador, os quais pretendem ocupar uma vaga no Plenário das Deliberações Judismar Luiz Fuzari (Câmara Municipal de Pimenta Bueno), já estão aderindo a esse tipo de tática ilícita.

Há inclusive quem solicite a terceiros a estabelecerem conversas com as lideranças de bairros visando descobrir as necessidades emergentes daquele local, não para resolvê-las, mas para utilizá-las como instrumentos fundamentais para a criação e utilização na propagação de promessas “vãs”. O fato preocupante é de que juntamente com as promessas surge a desvalorização dos demais pré-candidatos possivelmente bem intencionados e não dispõe das mesmas condições financeiras; possuindo tão somente o conhecimento e as melhores intenções para o bem estar do cidadão pimentense e para o desenvolvimento do município.

Diante de tais fatos, questiona-se: Qual a credibilidade de um insensato, que faz promessas às quais não cumprirá?

Afinal, prometer e não ser capaz de cumprir também é uma forma de corrupção! Desconfie de quem não respeita a lei, de quem pretende conquistar seu voto com promessas impossíveis ou com pequenos agrados e daqueles que tentam convencê-lo a qualquer custo! Só se comporta assim o político que não tem comprometimento algum com o nosso município!


Caro cidadão lembre-se: “Voto é poder!“ É a escolha de pessoas que podem tomar decisões que repercutem diretamente no dia-a-dia, como o preço do pãozinho, a distribuição de medicamentos, a disponibilidade de transporte, a qualidade do ensino, da saúde e da segurança pública. Se você cidadão eleitor vender o voto que é o seu maior poder no momento, então que direito você terá para cobrar algo durante os quatro anos seguintes?

Reflita: Será que compensa “vender” o voto e ver o seu município passar por quatro anos de estagnação social com irreparáveis prejuízos para a  educação e saúde,  pulverizando a qualidade de  vida da população? Aquele que hoje compra o voto do cidadão, amanhã venderá o seu próprio diante de interesses próprios e ilegítimos.

Conclamo a você cidadão que vem sofrendo ao longo de vários mandatos, no município de Pimenta Bueno, com o descaso e abandono em algumas áreas: não se deixe corromper! Pois somente assim terá o direito de cobrar e consequentemente ser valorizado enquanto cidadão.

Sabemos que se aproxima mais uma eleição “democrática” por ser regida sob a concepção do “povo no governo”, em que pessoas são consideradas em condições de exercer sadia e honestamente a escolha dos candidatos à formação dos poderes executivos e legislativos dos municípios; afinal eles não são somente eleitos para representar o povo, eles também são pagos para isso!

Você sabia que “somente no Brasil se paga salário a vereador”? Exatos 181 países fazem parte da ONU (Organização das Nações Unidas). Em um só se paga salário a vereadores ou a pessoas que exercem funções equivalentes.

Então, caro cidadão, vamos fazer os cálculos desses rendimentos para que você saiba o quanto custa para o cidadão ser representado: Atualmente (2012), o salário bruto de um vereador do município de Pimenta Bueno é de R$ 3.600,00, esse valor anual totaliza R$ 43.200,00 e durante os quatro (04) anos de mandato totalizará um montante de R$ 172.800,00.

Há quem afirme que nas eleições deste ano tem candidato a vereador provisionando (pretendendo) gastar aproximadamente R$ 200.000,00.

Note pelo cálculo acima que durante os quatro anos de mandato é impossível um vereador ser restituído das despesas realizadas no decorrer de sua campanha por meio dos rendimentos do exercício desta função. Portanto analise: como será que esse candidato pretende recuperar os investimentos (gastos) resultantes de sua campanha?

Utilizando-nos de um exemplo ilustrativo, façamos o cálculo do retorno obtido por um vereador, conforme a legalidade. Pressuponha que um determinado candidato gaste R$ 200.000,00 e seja eleito.


Vamos fazer os cálculos:

R$ 200.000,00 (gastos durante a campanha) deduzidos de R$ 172.800,00 (rendimento total durante o mandato de quatro anos), proporciona um prejuízo de  R$ 27.200,00, ou seja, valor gasto sem retorno, significando ainda que teria que trabalhar os quatro anos sem salário e ainda ficaria com prejuízo.

Legalmente uma forma de esse vereador obter retorno dos valores gastos na campanha seria por meio de diárias. Então vamos calcular um pouco mais. Ilustrando, vamos utilizar como exemplo a possibilidade de recebimento de diárias para a capital do Estado de Rondônia - Porto Velho.

Imagine que acordos sejam firmados e cada vereador possa ter direito a apenas quatro (4) diárias por mês, então teríamos um total de 48 diárias ao ano e 192 diárias durante todo o mandato. Considerando que o valor da diária é de R$ 350,00, logo, o ganho mensal seria de R$ 1.400,00 por mês, totalizando R$ 16.800,00 ao ano; durante todo o mandato esse vereador ganharia o valor total de  R$ 67.200,00 de diárias.

Portanto, R$ 67.200,00 de valores de diárias recebidas dentro da legalidade deduzidos os R$ 27.200,00 resultantes de prejuízo devido a gasto no período de campanha, significa que irá trabalhar todo o mandato e ganhar R$ 40.000,00 legalmente, desde que jus ao recebimento das diárias(o que pode não ocorrer de forma habitual conforme citado no exemplo).

Observando mais uma possibilidade de retorno (ganho) conforme o principio da legalidade: “Diárias para a capital do Brasil - Brasília”.

Suponha que o mesmo vereador faça jus ao recebimento do valor referente a quatro diárias por mês referente a viagens realizadas para Brasília, obtemos um total de 48 diárias ao ano e 192 diárias durante todo o mandato de quatro anos.

Partindo do pressuposto que o valor de cada diária é de R$ 525,00, o ganho dele seria de R$ 2.100,00 por mês, de R$ 25.200,00 por ano, portanto, durante todo o mandato esse vereador ganharia R$ 100.800,00 de valores referentes às diárias.

Calculando: R$ 100.800,00 de diárias ganhas dentro da legalidade menos os R$ 27.200,00 que teve de prejuízo devido a gasto no período eleitoral, significa que irá trabalhar todo o mandato e ganhar R$ 73.600,00 legais se fizer jus ao recebimento das diárias.

Pelo exemplo ilustrativo, fica claro que não tem como obter uma alta rentabilidade, ou seja, alto retorno em termos quantitativos financeiros seguindo os parâmetros da legalidade.

Agora é pra confundir um pouquinho o cérebro. Considerando os dados acima e o valor aproximado de R$ 240.000,00 reais mensais resultantes de repasse dos cofres do executivo ao legislativo, assim cada vereador custa para os cofres públicos municipais o valor médio R$ 26.666,66. Diante de tanta repetição do número “6” eu me questiono: seria esta uma manifestação diabólica do número da besta ou a besta somos nós os eleitores? Afinal, nos deixamos levar por promessas vazias, que não poderão se cumprir ou ainda vendemos o nosso poder por míseros trocados, crentes de que “o tal camarada” se preocupe com o bem estar da população e não de seu bolso.

Admito que não sou muito bom em cálculos matemáticos, mas creio ser possível visualizar por meio dos cálculos apresentados, que legalmente não há como obter retorno dos valores investidos em campanha eleitoral para vereador. Então proponho que você analise os “porquês” de um investimento tão alto em uma simples campanha, respondendo a seguinte questão: alguém, em sã consciência investiria em algo que não lhe resultasse num retorno compensatório?

Diante disso, senhores eleitores lembrem-se: para esse próximo pleito as vagas de cadeiras para o legislativo municipal eram 9 (nove), passaram para 13 (treze), creio que possivelmente continuará 9 (nove), mas isso saberemos nos próximos dias.

Se com um menor número de vagas no legislativo já se investia alto nas campanhas, imagine agora com a possibilidade de aumento no quantitativo de legisladores. E o perigo desse alto investimento está no fato do desejo aguçado pelo retorno alto, rápido e independente de meios lícitos.   

Conforme dito anteriormente: não sou muito bom em matemática, mas procurei apresentar os cálculos aqui expostos da forma mais clara e objetiva possível, dentro da legalidade, permitindo a você caro leitor a possibilidade de refazer os cálculos e refletir sobre as seguintes questões: qual a real intenção, como trabalharia e qual seria o lucro obtido por quem gasta tanto nas campanhas eleitorais? Será que para isso utilizaria somente de métodos lícitos? A preocupação maior desse político é realmente com a população e suas necessidades?

Ressalta-se que o texto apresentado é uma mera ficção, uma vez que o repasse do Executivo para o Legislativo em Pimenta Bueno na realidade é de pouco mais de R$ 200.000,00. O termo “aproximadamente R$ 240.000,00” foi para chegar ao cálculo que se refere ao título do texto.

Também informo a você leitor que dos, aproximadamente, mais de R$ 200.000,00 repassados pelo Executivo para o Legislativo, 70% é gasto com folha de pagamento e encargos sociais e 30% utilizado para custear despesas dos vereadores e da casa de leis.


Em outra oportunidade apresentarei mais cálculos utilizando os dados referentes ao Poder Executivo como personagem central, pois agora estou cansado e meus pensamentos estão começando a se confundir. Até a próxima!



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